A ZONA DE CONFORTO NÃO EXISTE

Desde muito novo, quando comecei a estudar sobre pessoas, um problema gigante era relatado por vários profissionais que eu acompanhava. De certa forma, o problema global de quem não consegue se desenvolver é uma tal de “Zona de Conforto”. De forma geral, o conceito encontrado em diversas pesquisas desse tema, muito debatido na psicologia, que hoje se estendeu aos coachs, mentores, dentre outros profissionais do desenvolvimento humano é o que segue:

“ Zona de conforto é uma série de ações, pensamentos e comportamentos que uma pessoa está acostumada a ter e que não a causam nenhum tipo de medo, ansiedade ou risco. É uma região onde nenhum indivíduo se sente ameaçado.”

Em pesquisas pela internet é muito comum encontrarmos; “as fórmulas para sairmos da zona de conforto”, “as 5 dicas para sair da zona de conforto”, “10 atitudes que provam que você está na zona de conforto”, e por aí vai. Muito conteúdo sobre o assunto é consumido diariamente, profissionais criam programas, e tudo mais, porém, será que existe a tal “Zona de Conforto?”

Apesar de ser um artigo de opinião, tudo que será dito tem relação com a minha experiência nesses mais de 12 anos observando, gerenciando, ouvindo e aconselhando pessoas dos mais diversos tipos, classes, crenças, etc. Existe uma questão, a qual me fez dividir as pessoas em categorias, que são:

  • As que querem se desenvolver;
  • As que não querem se desenvolver, pois sabem o “preço”;
  • As que vivem sem sequer pensar em desenvolvimento, devido ao nível de alienação.

 

Quando falamos do grupo nº3, não vamos mencioná-los juntamente com o tema “Zona de Conforto”, pois tal grupo ou está alienado em suas crenças religiosas, ou na certeza de que não conseguem algo, ou ainda nas crenças sobre a vida que são passadas de geração para geração e que são difíceis de serem quebradas. Então o grupo 3 não pode evoluir? Claro que sim, porém é através de um processo educacional mais longo e complexo, até chegar no ponto objeto desse artigo. Em outro momento, será possível discorrer sobre a alienação e o quanto a mesma é responsável por quase tudo que não é bom no planeta.

Os grupos 1 e 2, esses grupos sim, poderão dizer que não existe Zona de Conforto. Então quer dizer que esses grupos não possuem os atos constantes no significado desse termo, como pensamentos e comportamentos que não causam nenhum tipo de medo ou ansiedade? Posso dizer que não. Os dois grupos possuem pensamentos e comportamentos que causam ansiedade, causam medo, causam até pavor, e isso é chamado de zona de conforto, acreditam? Isso mesmo, o que os profissionais chamam de zona de conforto, eu chamo de ZONA DE DESCONFORTO, nos dois grupos é isso que existe, pensamentos, atos, comportamentos, decisões que causam bastante medo e/ou ansiedade, porém, eles estão ali, estagnados e sofrendo.

Segundo um estudo da OCDE, uma em cada duas pessoas sofrerão algum transtorno mental durante a vida, veja bem, na zona de conforto não há porque se sentir mal consigo mesmo, não há porque se estressar, enfim, não há motivos para problemas e tentativas frustradas de mudar a vida. Se essa multidão realmente estivesse em um ambiente sem estresse e/ou medo, o mundo seria muito mais leve.

Para exemplificar, analisaremos os grupos 1 e 2 separadamente:

No grupo 2 temos aquelas pessoas, extremamente representativas, em números, na população atual, que sabem o que precisam fazer para chegar lá, sabem onde querem chegar, mas estão focados no momento e em não “pagar o preço”. Suponhamos um caso clássico, onde o indivíduo X trabalha em uma empresa e recebe de salário muito menos do que ele gostaria de ganhar. Ele sabe que se estudar, buscar uma daquelas bolsas que estão disponíveis no mercado e fazer sua faculdade, por exemplo, em cerca de 4 anos ele terá mudado sua vida. Porém, ele começa a racionalizar isso, e decide que não quer pagar o preço de passar as noites estudando, que não quer abrir mão de sair, porque a faculdade terá um custo maior para ele e não sobrará dinheiro, enfim, ele sabe o que é, sabe o preço, e não faz. Esse indivíduo em tese, está na zona de conforto, mas na prática está sofrendo, porque ele sabe, ele se cobra e ele desiste, em muitos casos é um ciclo que dura todos os dias durante anos. É a Zona de Desconforto. Tem aqueles que precisam abrir mão de muitas diversões ou afins para estudar para passar no concurso. Outros que precisam abrir mão de um pouco de trabalho para ver os filhos crescerem, se cobram todos os dias e de repente, os filhos cresceram e ele não sabe nada da vida desse filho. Enfim, se contasse todos os casos que pude perceber, escreveria um livro facilmente. É muito claro, não existe conforto algum nessas histórias.

No grupo 1, existem as pessoas que querem se desenvolver de verdade. Nesse grupo que encontramos aquelas pessoas que brilham, que se sobressaem em seus negócios, famílias, empregos, enfim, daqui saem as pessoas que os outros seguem. Ah, todos do grupo 1 são um talento e livres da zona de desconforto? Não, de forma alguma. Segundo alguns dados observados nos últimos anos, temos cerca de 85% “morando” na zona de desconforto, e 15% livres, saboreando a liberdade plena. Mas, de onde saíram tais dados? Tal grupo é aquele que busca eventos de autodesenvolvimento, cursos de coaching, processos de coaching, eventos de autodesenvolvimento, de inteligência emocional, enfim, esse grupo consegue dar o primeiro passo, ou vários primeiros passos em busca do desenvolvimento, por isso, buscam ajuda para aprender a fazer. Muitos, mesmo sem cursos, entendem que precisam fazer, realizar e vão, sem medo. Observando isso, e acompanhando alguns gurus do desenvolvimento de pessoas, ou que vendem cursos para as pessoas mudarem de vida, ou para se desenvolverem, e outros afins, percebi o seguinte: Dos milhares de cursos vendidos em um lançamento, cerca de 15% das pessoas fazem tais cursos, os demais sequer abrem, só pagam. Nos treinamentos pessoais, de 30 horas, 50 horas, 100 horas, somente 15% das pessoas fazem o que deve ser feito, as demais, não fazem nada, se motivam, voltam eufóricas e, 3 dias depois, vida que segue, Zona de Desconforto tomando conta da vida. Nas salas de aulas, tanto dos cursos que fiz, ou como professor, somente 15% se importa de fato com o conteúdo, os demais, estão em busca do diploma. São dados um tanto quanto polêmicos, existe a possibilidade de algumas pessoas criticarem o meu ponto de vista, mas então, quantas pessoas livres e com sucesso vocês conhecem?

Enfim, espero ter conseguido demonstrar o ponto de vista, e que esse artigo crie uma discussão que possa trazer engrandecimento para a área do desenvolvimento humano, onde possamos alterar a forma tradicional de desenharmos as teorias. Busco por um processo que julga menos e compreende mais, dessa forma, conseguiremos atingir um número superior de pessoas, que por sua vez, poderão contribuir com a mudança que o mundo quer e precisa. Só não conseguiu fazer ainda, por que está na Zona de Desconforto.

 

 

Sylvio da Silva Araujo Junior

Empresário, Coach, Mentor de Negócios

Diretor do Grupo SSX Gestão e Negócios

Sites: www.ssxgestao.com

www.sylvioaraujo.com.br

insta: @sylvio_araujo

@mentemestra.oficial

 

Obs: A ideia do artigo é que tenha total compreensão de todos que o leiam, dessa forma, optei por uma linguagem mais simples possível.

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